DAS CANÇÕES QUE EU ESQUECI QUE HAVIA FEITO.

maio 13, 2013

Entortei os ponteiros com a mão
Só pra estremecer o tempo
Por um segundo eu tive essa sensação
Até ela me escapar com o vento

Pra não mais voltar
Ela não vai voltar

Falhei quando tentei dançar a dois
A dança estranha dos meus dias
Senti o fogo arder para depois
Deixar minhas mãos ainda mais frias

Pra não mais voltar
Quem nunca esteve aqui

Mas, se eu pudesse voltar no tempo
Jamais mudaria um só momento
Então vai, é tudo que eu posso pedir
Não olhe pra trás, sob pena de não mais me encontrar aqui.

EU SOU A MARÉ VIVA.

abril 12, 2013

A casa cheia, o coração vazio
Escorre do meu rosto, um lamento arredio

O veneno acabou, a festa esvaziou
O tempo da inocência terminou

Os amigos que eu fiz, e quem jamais voltou
Ferida que eu abri, e a que jamais fechou
Deixou passar a luz, que vence a escuridão
Pra tentar aquecer esse coração

Eles vão me derrubar, que é pra me ver crescer
Eles vão me matar, que é pra eu renascer
Como uma supernova que atravessa o ar
Eu sou a maré viva… se entrar, vai se afogar
Eu grito pro Universo, o meu nome e o teu
E ele vai escutar.

Eu mandei um sinal rumo ao firmamento
Eu forneci a prova cabal desse meu desalento
A sonda vai voar
Até não dar mais pra ver
Levar o que há de bom em mim
Vai levar pra você…

E os que não estão mais aqui
Todos os que se foram
Eles vão me encontrar
Em outra dimensão
Onde não existe dor
Não se declara guerra
Quando estamos em paz. 

O VISCONDE VIVE.

fevereiro 8, 2013

Eu peço paz
Pra não ver rasgarem os pontos que a guerra traz
Eu já vi demais
E os olhos cegam quando eu tento olhar pra trás

Me esvaziaram de tudo que eu podia acreditar
E me jogaram, submerso num rio de lodo, que não ia para o mar
“Isso é pra você aprender!”
“Você precisa lutar!”
… só não me disseram contra o quê…

Pra me acordar do coma
Me despertar pro Agora
E todo dia, eu nasço, cresço, adoeço, e morro um pouco mais
Dessa vida, a Doença dos Dias.

Teve um táxi que eu peguei, nem sequer cumprimentei
Pois estava tão perdido, não sabia pra onde ir
O homem abaixou o som, disparou sem hesitar:
Perguntou: ‘que cara é essa?’ e começou a me contar

Sobre a guerra em que lutou, sobre os tiros que tomou
Os amigos que perdera e sobre os seus caixões chorou
E tornou a perguntar o que eu estava a lamentar
Mas cheguei ao meu destino e saí sem lhe falar

Que eu não sei lidar!
Que eu queria ter problemas como os seus
O corte é na alma, e eu não consigo fechar
Mas posso aplaudir esse dia que nasceu

E eu sei que logo esse inverno acabará
E com as chuvas, vai-se embora esse pesar
Vai me tirar do peito o que há muito estava lá
Mas ficam as canções…
… são tantos corações pra confortar.

Astronave cantada.

janeiro 17, 2013

Aos 13 ou 14 anos de idade, escrevi uma música que – para variar – falava sobre uma guria da minha sala que não me levava muito a sério. A idade era pouca, mas já era eu sendo eu mesmo, o lunático-mirim que sonhava ser astronauta e pedia ajuda ao professor carioca de geografia para calcular em quanto tempo eu poderia levar minha nave até o Sol. Foi quando o professor Fábio, esse carioca muito engraçado, revelou, para a minha ingrata surpresa, que não há nada lá.

É apenas uma bola de fogo, queimando até o combustível terminar. Não há nada lá. Também não há nada em Júpiter, nem Saturno, nem nos planetas seguintes. A gente não pode pegar uma nave e pousar lá. São astros gasosos, tão densos quanto o ar. Não há chão, não há atmosfera, não há pista de pouso. Não há nada lá que justifique a viagem (sem volta).

Isso encrustrou na minha cabeça, de uma maneira que me fez relacionar essa triste novidade com tudo que a vida colocava no meu caminho. A tal canção escrita para a guria que não me levava a sério custou, mas deu resultado. Isso me fez feliz por tempo suficiente para descobrir que tratava-se de uma missão sem propósito, um planeta gasoso sobre o qual eu não poderia pousar. Um corpo celeste cuja beleza pode ser observada à distância, em fotos de poderosos satélites que revelam belas e harmoniosas composições de formas e cores, mas que, ao passo em que aproximo minha astronave, essa beleza evanesce em uma fina névoa etérea, sem cheiro, sem cor, sem sabor, sem nada.

A música tem me levado veloz pela galáxia, numa velocidade em que torna-se perigoso o pouso, podendo esse resultar em feridas profundas e ferragens retorcidas projetando-se em velocidades inimagináveis me atravessando o corpo. O medo do acidente inevitável me fez encontrar conforto no sobrevôo sub-orbital, na contemplação distante e no contato mínimo com a infinita quantidade de luas, estrelas, buracos negros, intangíveis oceanos de anti-matéria e planetas que riscam o misterioso horizonte que passa pelas minhas janelas.

No entanto, dia desses orbitei insistentemente um pequeno ponto perdido no cosmo infinito, por vezes até confundindo suas marés, fazendo-as esvaírem vazantes de choro. O vôo progressivamente transformou-se em impensável rasante, de maneira que as leis da física, implacáveis e soberanas em qualquer parte desse Universo, apressaram a inevitável colisão. É quando o plano de vôo mostra-se desprovido de significado, o manobrar do manche não traz resultado e o grito de socorro no rádio não encontra destinatário. Emergência.

É quando chegamos ao eterno agora: eu, astronave desconhecida, sem combustível, destino, nem coordenadas para voltar, pedindo permissão para pouso.

O último.

dezembro 28, 2010

Missão não-cumprida.

E foi falhando na tentativa de salvar o romance de seu eterno apuro que me descobri inapto a viver com a cabeça leve. Quanto mais fundo cavamos em busca de significados perdidos, mais difícil e utópica se torna a nossa volta para a superfície. O podre se apega a nós, nos persegue, nos tira a razão e a infinita corrida em direção à luz nos faz perceber em profundidade que estamos TODOS – sem exceção – perdidos como náufragos ao mar. E a luz, sempre à frente, inalcançável, guiando-nos pelo seu trajeto torto e cheio de armadilhas.

Felizes os ingênuos, os burros, e os filhos-da-puta.

Percebo o peso da idade quando sinto em minha mente a presença de cada vez mais pensamentos aos quais eu não posso – ou não consigo – dar vazão. Sempre tive facilidade na hora de traduzí-los em parágrafos, mas esse artesanato leva tempo, é cansativo e, certas vezes, quando finalmente deglutimos um assunto, já somos atropelados pela urgência de uma vida que somos obrigados a viver, do abrir ao pregar dos olhos. A vida passa fulminante enquanto escrevemos sentindo e avaliando o peso de cada palavra. Incapazes de expressar mazelas e exorcizar demônios criados por nós mesmos, adoecemos em lenta morte, infeccionados pelos nossos próprios defeitos.

Escrever aqui foi o que me impediu de fechar os olhos a essa luz. Esbravejar por escrito – mesmo que para destinatários que desconheço – é confortante, justamente quando não me serviam mais as opiniões sensatas. Digo isso porque, afinal, lá no fundo, a gente sempre sabe quando tá fazendo merda. E é nesse ponto que eu discordo de quem diz que somos, essencialmente, bons e puros de espírito. Na verdade, compactuo com a hipótese de que, se não exercermos controle firme sobre nossos pensamentos e atitudes, transformamo-nos em nada mais do que o lodo do lodo. O erro está na nossa alma, e cada descuido é um curativo para as mais-de-mil chagas que se espalham por sua superfície.

Descobrir-se imperfeito, defeituoso e incapaz (e escrever sobre isso) é o que me impede de desmoronar. Essa obra inacabada que todos somos precisa de andaimes, estacas e apoios para se manter de pé. Família, amigos, músicas, drogas… usamos o que temos ao nosso alcance, embora saibamos que jamais estaremos prontos. Jamais.

Viver é perigoso. O mundo é veloz, cruel, e cheio de arestas. Só está a salvo quem está morto.

Tenho escrito menos.

setembro 14, 2010

E vivido um pouco mais. A literatura de meus dias perdeu o caráter de microconto, por isso não mais os tantos posts. Virou romance que não mais se capitula em poucos parágrafos. Muitas vezes abandonei em branco o texto, pois olhava, míope, para dentro de mim e nada via senão o nebuloso vulto da ulceração que ainda gritava em vermelho. Precisava encontrar um caminho para a superfície, mas no fundo daquele poço encontrei um par de lentes.

O romance nos desafia a convicção, por vezes tira a paciência, e pode até nos subtrair alguns anos da vida, mas quando é que alguém, por um segundo que fosse, cogitou – a sério – viver sem ele? Nossas aspirações vão, cada vez mais, aproximando-se da realidade; a gente passa a prometer menos, mentir menos, e chega até a achar que, dessa vez, erraremos menos, por julgarmos saber onde escondem-se todas as bombas desse campo minado. Nem preciso lembrar que a única certeza no romance é a de se estar eternamente em apuros, saracoteando as pernas para não se deixar afundar totalmente no obscuro e indecifrável oceano que é a vida daquela pessoa com a qual estamos de mãos dadas.

Em apuros pois é perigoso. É perigoso porque a gente arrisca. E a gente arrisca porque quer. Ninguém nos obriga a viver o amor, mas a gente ama vivê-lo. Ninguém nos obriga a sentir as mesmas dores de novo, mas a gente se quebra em mil pedaços para sentir o prazer na cura. A gente acha que pode viver sem, mas as palavras soluçadas no fim de uma noite ébria evidenciam o que, para todos ao nosso redor, já era óbvio: estamos fodidos.

Em apuros não estou só eu, estamos todos nós, meus caros. Romance é o que se persegue pelas esquinas, que foge à luz dos postes, e ele está bem. Em perigo estamos nós, nesse apuro que reside na nossa urgência em vivê-lo. Vivê-lo, mesmo que torto, inacabado, ferido, precipitado, errado, proibido, ou impossível. Vivê-lo de verdade, com intensidade e sem escudos. Como deve ser, e como inevitavelmente é, quando nosso coração nos dá aquela única e inevitável rasteira que nos faz quicar no chão.

Viver o romance é estar em apuros.

Estou vivendo, e não quero ser salvo.

… ou não.

agosto 12, 2010

Talvez não caiba a mim encontrar o paradeiro do romance perdido. É que ele não me escapou pelos dedos desatentos, não está ao relento entre o meio-fio e os carros, não se esvaiu junto às memórias de uma madrugada ébria. Me corrói as entranhas cogitar a hipótese de que talvez jamais tenha, de fato, existido aquilo que tenho procurado. Me perfura os pulmões a constatação daquelas coisas que, mesmo quando assumidamente prováveis e esperadas, eu – ingenuamente –  negava até o fim que pudessem acontecer:

As piores verdades são aquelas que parecem mentira.

Mas então o que é a verdade, se não tudo aquilo em que acreditamos com todas as nossas forças, até o fatídico momento em que não cremos mais? As verdades mudam, e as tuas o fazem numa velocidade que acredito que ninguém seja capaz de acompanhar. Justamente, por medo disso, tratei de despir meus sentimentos de poesia. No entanto, as nossas situações, mesmo nuas de significado, mesmo ceticamente analisadas com a frieza de um cirurgião, teimavam em rabiscar sorrisos na minha cara. Sorrisos que não saíam em água corrente. Mesmo assim, tenho vivido ao pé da letra o ‘dia-após-o-outro’, jamais adornando os dias com os meus costumeiros exageros que conheço bem. É difícil manter os pés no chão enquanto a mente voa.

Talvez o que me compete seja justamente diagnosticar a completa inexistência do romance, ou constatar que trata-se de um bobo conceito hipotético. Uma ideia que nos inspira, que nos motiva, que nos estufa o peito através de um brusco sopro do mais puro nada. Uma isca que nós, mesmo após fisgados sucessivas vezes, seguimos mordendo, constantemente e com convicção. E eu mordi mil vezes e vou morder outras duas mil, justamente por acreditar na ínfima chance de – somente por uma vez – aquilo tudo não ser uma mentira.

As piores mentiras são aquelas que parecem verdade.

Morfina.

julho 12, 2010

Quando lutamos contra nós mesmos, somos os únicos a colecionar feridas. Até que ponto vale a pena ater-se ao caminho da menor-dor, do baixo risco e do conforto calculado? Você grita para si mesmo com tanta força essa mentira, que acaba por não ouvir o peito clamando por um segundo de atenção. Mas eu consigo ouví-lo, quando ele encosta no meu, e sigo aguardando o dia em que a tua garganta, de tão rouca, deixe chegar aos teus ouvidos o que para mim fica claro toda vez que teus olhos fecham antes dos meus: é recíproco.

Eu poderia dizer que fui acometido por uma abstinência de sensações às quais já estava acostumado. É o que você sempre diz, mas eu ainda não me acostumei a você. Por isso que eu sempre volto, mesmo quando a minha autoestima implora para que eu espere por um sinal teu. Teus sinais foram dados; nós é que falamos línguas diferentes, quando o assunto é sentir e expressar.

Eu poderia dizer o que já repeti em refrões antigos: que sou “alguém pra ocupar o lugar / de quem não vai voltar”. São palavras que me saltam da língua e páram nos dentes, sempre que sinto medo de que você confirme a minha hipótese. Então eu sigo o teu conselho de me ater apenas às tuas ações. E assim eu sigo, tirando da tua boca frases impensáveis, do teu peito, o calor que eu preciso e, da tua vida, tudo que vai de encontro aos teus planos de não me deixar entrar. Aluguei um espaço no teu pensamento e me sinto confortável aqui, embora nada me garanta que eu não possa ser despejado. Se for pra ser, que assim seja: o frio da rua é mais confortável do que um lar onde já não se quer mais morar. E faz tempo que eu me mudei, jogando fora as chaves da antiga morada.

A vida ensina, a gente aprende. No entanto, isso não quer dizer que não devamos, às vezes, desobedecer as leis que nós mesmos criamos. Cansei de lutar contra mim mesmo, pois já me cobrem o corpo feridas em diferentes fases de cicatrização. Aqui estou, pronto para me aplicar com mais algumas doses cavalares de você, se assim me permitir. E eu já não mais vivo sem essa morfina que eu batizei com o teu nome, há alguns meses atrás.

Não Tão Trágico.

junho 30, 2010

A fumaça que sai dos carros entrelaçados dessa esquina da minha vida promete mais do que o espetáculo cumpre: já assisti a eventos piores. Os motoristas, há tempos já tiveram alta em seus hospitais. Exibo em meu torso parcos arranhões que acidentam o toque da pele, mas essa brusca interrupção de movimento acabou por me privar apenas daquelas preocupações bestas de outrora, que me tiravam o foco e entortavam o caminho. O caminho segue errante e irregular, mas dessa vez os passos são só meus. Sim, livre.

No entanto, essa mesma liberdade acaba nos amarrando a uma intensa e incessante necessidade de ter antigas sensações, gozar de prazeres que antes nos eram rotineiros. Quando menos percebemos, já estamos novamente atando o nó do nosso barco em algum outro cais. De novo?

Isso é normal.

Em algum determinado grau, somos meros neurônios de um corpo imensamente maior, esperando por uma faísca que nos conecte. Afirmo que estamos sempre, mesmo que imperceptivelmente, procurando conexões. É instintivo dividir sensações, compartilhar momentos, comungar histórias com outras pessoas. O único período em que sentimos dor é o momento em que estamos no vácuo de uma transição de histórias. A última página do capítulo parece pesar uma tonelada, às vezes, mas ela precisa ser virada a qualquer custo, e um outro par de mãos pode ajudar nessa tarefa. Uma vez novamente ligados, a dor se dissipa como a fumaça que esconde as ferragens do acidente. Estamos respirando, e evoluindo.

A gente sai de cena com as roupas rasgadas, bolsos vazios e a mente confusa, sem saber como fomos parar ali. Mas e se pudéssemos jogar todos os livros fora e carregar conosco apenas a página do agora? É tão comum a gente se apegar ao passado e viver numa réplica dele, na ilusão de que estamos andando pra frente… no entanto, se tivéssemos realmente sido felizes no processo, jamais teríamos mudado. Então a gente muda. Mas o problema é que a gente muda sentindo medo demais. A gente navega perto da costa, esquecendo-se de que poderia ser bom perder o horizonte, seguir a vontade da corrente e atracar na próxima ilha. Por mais que ela demore a surgir no infinito, ela é nova, e a gente chegou lá sem bússola.

Antes de ligar para a emergência, esperei para ver através da fumaça o que realmente acontecera. Um acidente, embora não tão trágico. Um espasmo de vida em um coração que parecia padecer em estado vegetativo. O trânsito voltou ao normal, e eu voltei pra casa, graças a uma carona que eu queria que tivesse durado alguns minutos a mais.

Só lembro do rosto através do vidro quebrado. Esquecer? Não consigo. Repensar? Não quero. Reviver? Não aguento. Roteiro pros próximos capítulos? Não tenho.

Como Está Seu Romance?

junho 11, 2010

Diálogo 1:

“Como é que tu tá?”

Vai ver alguém hoje à noite?

Saiba que não estou aqui pra levantar o tom, nem o volume da voz. Já o fiz por tantas vezes que hoje digo para mim mesmo: “não mais”. Não temos mais nada em jogo aqui, não é mesmo? Já me ocupam cada centímetro do peito os mesmos sentimentos que eu vivia na ocasião em que te conheci. Sinto-os como se fossem inteiramente novos. A circunstância é outra, a pessoa é outra, e até o próprio sentimento assume diferentes formas. Mas ele me estufa o tórax com tal força que eu me sinto impelido a cuspir tudo fora, sem foco ou direção.

Eu tenho minhas convicções. Tinha. Quanto mais a vida avança, mais eu vou me acostumando a conjugar tudo no pretérito. É assim que te conjugo hoje. Olhar pra trás e ver-se contrariando todas as convicções que pareciam gravadas em pedra pode ser dolorido. E é, como em todas as vezes que assumimos nossos próprios erros. Eu tô passando por cima de muitas convicções, aqui. Eu tô quebrando uma porção de promessas infantis, também.

Mas quem sou eu, pra me contrariar?

Eu queria saltar de um avião e abrir o pára-quedas somente no último milésimo de segundo que me separaria da eternidade.

Mas aí alguém me chamou para planar.

Diálogo 2:

“Como é que tu tá?”

Eu quero te ver hoje à noite.

E eu não estou aqui para ser mais um capítulo insignificante no teu livro de contos. Já passeei por tantos livros mal-escritos que hoje me encarei no espelho antes de te ligar, dizendo: “não mais”. O nada que existe entre nós é tão perturbador que tenho medo de imaginar o que existe em jogo aqui. A folha está em branco. Essa relação disforme pode ter o significado que tiver, mas vai ser sempre superlativa em vários aspectos. Cabe a mim administrar na cabeça a responsabilidade de ter todas as fichas apostadas, sempre. Cabe a ti pegar na minha mão e jogar os dados.

O sentimento que eu pulverizo em forma de palavra escrita abre espaço no meu peito para o que é novo. Me pego falando sozinho, perguntando pra mim mesmo até quando eu consigo sustentar por debaixo da minha cara sisuda o sorriso que me rasga a face de fora a fora. Talvez se eu te mostrasse tudo, tu passaria por cima de mais umas convicções. O caminho é agridoce, e começa debaixo desses lençóis dos quais a gente hesita tanto em sair.

Como está o meu romance? Planando como o teu, e procurando ventos novos para jamais colocar os pés no chão novamente.


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